Um dos escritores que mais li, até por força da profissão, foi um cara chamado “Og Mandino”. Ele desenvolveu um tratado psicológico a meu ver que mexeu demais com minhas atitudes. Não sei se intuitivamente ou não, resolvi chamar a técnica de Og Mandino de: “Repetição espaçada.” É mais ou menos o seguinte: Repete-se várias vezes a mesma história e acabamos acreditando nela como verdadeira, mesmo não sendo. Quando perguntamos quem descobriu o Brasil, todos dirão que foi Pedro Álvares Cabral. Mas não foi. Nada havia para ser descoberto. Por uma questão de poder, o mundo era dividido entre a Espanha e Portugal, com algumas migalhas para a Inglaterra. O Papa dividiu as terras a serem descobertas, tanto que o Tratado de Tordesilhas, além de ter sido modificado para levar uma linha imaginária mais para oeste a pedido dos portugueses, já previa a existência de terras além mares. Os Holandeses vinham dar nas costas de Pernambuco sempre, mas não podiam tomar posse de nada. Bom, esse é um caso, mas existem tantos outros semelhantes. Um que me chama atenção demais é o de John F. Kennedy, tido por nós brasileiros como um bom moço, um herói, um exemplo de presidente. Mas foi um grande safado em sua vida pessoal e na política. Patrocinou todas as ditaduras na América do Sul, foi responsável direto pelo extermínio de milhares de chilenos, brasileiros e argentinos. Americanizou nosso País, que era mais europeu.
Quem sabe ele não era um fantasma que atormentou tanto nossos últimos presidentes civis antes do golpe de 1964, que chamam de revolução, o tal chefe das “forças ocultas” de que Jânio falava. O paulistano é meio assim, vê filmes do assassinato de JFK e se comove, com a linda Jaqueline Kennedy pegando pedaços de miolos do marido no porta-malas do carro em Dallas. A coitada era traída pelo então marido, que tinha uma queda por louras platinadas e pelo poder, vivia de aparências. Viver de aparências é o que o paulistano mais sabe fazer. Alguém repetiu várias vezes que ele deveria crescer, casar, trabalhar, comprar um apartamento de três dormitórios com suíte e mandar os filhos para escola particular, e ter um bom carro, o que vão falar os vizinhos? Como assim? Vai se separar? Almoço de domingo na casa da sogra, no outro na casa da mãe, e tome festa de debutante, e novela e vamos trabalhar, e financia pela Caixa em 30 anos, como? Atrasou a prestação? Que vergonha. Tem que pegar as crianças na escola. Tem que levar no aniversário do coleguinha, já comprou o presentinho? Como não vai levar presentinho? O que vão falar? Vamos para o shopping, faz cara de classe média. Paga no cartão. Precisa mudar o sofá, já pagou o seguro do carro? E ai segue a vida dentro de um padrão. O padrão três dormitórios com suíte. Domingo o pessoal volta para casa, ouve a musica do Fantástico e diz: Acabou o domingo! A rede Globo determina a hora que acaba o domingo, a hora do jantar e a hora de dormir. Que hora que o paulistano vai pensar em quem votar? Deixa esse ai mesmo, já acostumamos.
Que merda de vida.
Queria ser como Paulo Maluf, o cara rouba, mas faz. Mas o Fernando Henrique é professor o outro é metalúrgico, que nojo. E o Serra, hein? Foi exilado coitado. Mas exilado onde? Não sei, mas foi. Acho que foi no Chile, depois Paris. Que chique hein? Isso sim é comunista. Paulo Freire? Quem é esse cara? George Orwell, quem é esse gringo? Não sei não, vamos assistir o BBB?
Que merda de cultura.
Quantas vagas têm para carro no seu prédio? Sua camiseta é de grife? Vou para Disney nas férias...mesmo pagando em 24 meses, o filho do vizinho foi, por que o nosso não vai? Quero uma mochila da Xuxa, e um note book. Que merda de consumismo. Benhê...você viu minha gravata italiana? Tenho uma reunião importante. Os meninos precisam fazer catecismo, mesmo que depois nunca mais irão à igreja. Manhê... vou dormir na casa da minha amiga, já sou uma moça, tenho 11 anos, depois vamos ver o Restart e Justin Birbie. Quem? Chico Buarque de Holanda? Eu já tenho dicionário no computador.
Que merda de povo...
Quando surge uma exceção, coitado. Deve ser um pobre, maconheiro.
A PM arrepiou os mano cara. Você viu? Também, quem mandou invadir terra dos outros?
Que merda de noção de justiça. São Paulo, a cidade mais preconceituosa do Brasil.
E tome lançamento de apartamentos com três dormitórios com suíte, em breve no Pinheirinho e no novo bairro do Moinho.
Por: Airton Baptista.

2 comentários:
Há muito tempo , eu a a prima levamos nossos filhos e filhos dos outros para ver estréia de ET no Barrashoping. Depois, aquele sorvetinho básico no Bob's e nada mais até que minha filha viu a sandalinha da Xuxa . Ela era e única menina do grupo de crianças. Eu tinha o suficiente prá sandália que nem era cara - não dei . Ela entristeceu - aquelas coisas. Já moça, professora, a mesma minha filha foi levar alunos prá um passeio. Ao chegar em casa, me mostrou a foto dela com a maldita Xuxa - o passeio foi lá nos estúdios do programa.
Daí vi que não adiantou nada ter ensinado aos filhos a coisa do não consumismo mesmo quando isso não era moda - hoje, estranho minha filha - vou a Brasília onde ela mora, quero ver o Parque Nacional que conheço por fotos e é uma maravilha de mostras da flora brasileira e ela me leva onde? shopings A B C D E F G e por aí vai.
Meu filho ama o Fidel, é um excelente assistente social mas compra um tênis de 300 reais.
Donde concluo que : quero voltar a morar em conjunto de BNH, ou em casa de roça , quero ser estranha porque estranha acho que sempre fui prá quem pari e eduquei. Hoje tento com os netos - insisto . Não me cabe outra coisa se quero ser razoavelmente coerente com meus valores . Só no aniversário dou um presentinho melhorzinho e se querem um trocado, taco uma tarefa primeiro - de graça não !
Mas apesar de tudo, consigo ser exemplo. Não sou escrava de moda, uso coisas baratas , não faço crédito nem empréstimo e só o faria se o assunto fosse doença.
Então você entende a minha estranheza ? Não adiantou nada o esforço de fazer com que meus filhos compreendessem o x da questão.
Um antigo professor de esoterismo gnóstico uma vez disse que não conhecemos nunca os filhos - na época duvidei mas hoje, com eles adultos e independentes, eu me deparo com estranhos - que amo - na verdade são a mola da minha vida mas não dos meus costumes que aliás, eles abominam -
O sistema é uma hiena - que come nossas crias vivas.
Barbara.
Parabéns pelo seu texto, muito bom.
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