No século XII tivemos uma onda de
assassinatos praticados pela Igreja Católica Apostólica Romana que em nome de
Deus julgava e condenava à morte principalmente os seus próprios desafetos. Ai
de quem fosse contra qualquer opinião da igreja. Mas também, por vantagens
próprias, bispos e cardeais principalmente, acusavam determinados proprietários
de terras de heresia, subtraiam as posses destas pessoas e se apoderavam delas
e da fortuna destes senhores ficando cada vez mais ricos e automaticamente,
cada vez mais poderosos.
A Igreja Católica não foi a única a
praticar este tipo de ato desprezível. E a Inquisição não teve seu palco apenas
na Europa. No Brasil, na época colonial, sobre as barbas do Rei D. João VI, a
igreja se apoderou de uma imensa área de terras e de fortunas incalculáveis,
além de tratar índios e negros como cidadões de segunda classe, apoiava a
escravidão e beijavam a mão do Rei enquanto se locupletavam de forma vil dos
bens de terceiros. Tinham seus representantes na Corte e nos plenários de discussão
política, opinavam e enriqueciam os cofres da mãe Roma, além é claro, dos
próprios cofres. No filme “O Nome da Rosa”, podemos ver de forma como se
comportavam aqueles que falavam em nome de Deus. Riqueza, luxuria e egoísmo
eram marcas dos padres da época. Sexo em troca de comida com meninas e meninos,
pedofilia e orgias dantescas se misturavam ao nome de Deus.
Hoje, a nova igreja evangélica está à
beira de uma nova inquisição. Não aceitando a homossexualidade, impondo
dízimos, construindo verdadeiros palácios, participando da política e tentando
tornar lei aquilo que é religioso. Corremos um risco de termos em nossas
cadeiras nas Câmaras, Assembléias e Senado, pessoas ligadas a estas novas
igrejas que também em nome de Deus tentam impor suas regras de conduta e sua
separação de classes para uma população ignorante e despreparada
intelectualmente, desprovida de maldade e em busca do Reino de Deus aqui na
Terra mesmo. Ninguém presta a não ser aquele que é evangélico, ninguém é
honesto o suficiente a não ser o evangélico, nenhuma outra religião é de Deus,
só a deles. Todos são criaturas de Deus menos eles, que são filhos de Deus.
Falo dos novos evangélicos, não dos tradicionais. Falo destas igrejas novas
advindas do estilo de pastores americanos picaretas e milionários. Assim como
são milionários e picaretas os pastores e bispos autodenominados que existem
aos montes em nosso País.
Enquanto esses estelionatários
estiverem ocupando postos políticos e tentando influir nas leis de todos,
estamos correndo um sério risco de termos uma nova inquisição. Ao contrário dos
padres e bispos da igreja católica, os pastores se aventuram na política por
uma única razão, a razão do poder, do conchavo, da impunidade. Cuidado com esse
tipo de líder religioso, pois eles vão de encontro ao inverso do que pregam. “A
Cesar o que é de Cesar, a Deus o que é de Deus”.
” O reino de meu Pai não é deste
mundo.” Cuidado com a aparência de seu pastor, com o carro luxuoso com o qual
se apresenta. Este carro e tudo mais vieram do seu dinheiro. A emissora de
televisão, a casa em Miami, as fazendas... Tudo que foi feito no século XII
está se repetindo, só falta beijarmos a mão cheia de anéis com pedras vermelhas
destes verdadeiros fascistas religiosos, que continuam a viver as custas de
aposentadorias de velhinhas e de salários de empregados com baixa cultura e
intelecto. Este não é o caso de meu jovem amigo Franklin, evangélico e
estudioso das causas de Deus. Mas é o caso de tantos Franklins iludidos, que já
tiveram a lavagem cerebral executada pela técnica de neurolinguistica destes
verdadeiros mascates da dor alheia, aproveitadores frios das fraquezas de
pessoas carentes que ainda crêem que um homem pode falar por Deus e falar pelo
Espírito Santo. Isto sim é menosprezar a liberdade que Deus nos deu e que Jesus
em tempo algum mandou que fizéssemos. Quando vejo tanto luxo e riqueza nas mãos
destes pseudos homens de Deus, lembro-me de Chico Xavier, de irmã Dulce, de
Madre Tereza de Calcutá, de Francisco de Assis e tantos outros que tanto fizeram
sem nada pedir e principalmente, sem nunca se envolverem com política.
Não vote em religiosos para que eles
não percam seus votos de servir a Deus. Não seja responsável por uma nova
inquisição. Não emburreça nosso País.

2 comentários:
A matéria acima foi postada por Airton Baptista
Muitíssimo bem colocado!
Não, não voto e não faço votos.
Vou caminhando e tentando pescar o que pessoas realmente cristãs e humanitárias têm a me ensinar.
Mas os católicos radicais e os evangélicos - desses quero a maior distância.
São do tipo de cristãos que têm repetido a mística da crucificação há tempos. Dividem e dividir é coisa má.
1 dia leio Chico Xavier, outro dia leio Krishnamurti, outro leio Gnose, mas misturar o sentido que tais coisas me dão com minha ainda capacidade de cidadã - never !
Obrigada pela oportunidade de te ler aqui.
Barbara.
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