12 de janeiro de 2012

A Nova Inquisição


No século XII tivemos uma onda de assassinatos praticados pela Igreja Católica Apostólica Romana que em nome de Deus julgava e condenava à morte principalmente os seus próprios desafetos. Ai de quem fosse contra qualquer opinião da igreja. Mas também, por vantagens próprias, bispos e cardeais principalmente, acusavam determinados proprietários de terras de heresia, subtraiam as posses destas pessoas e se apoderavam delas e da fortuna destes senhores ficando cada vez mais ricos e automaticamente, cada vez mais poderosos.
A Igreja Católica não foi a única a praticar este tipo de ato desprezível. E a Inquisição não teve seu palco apenas na Europa. No Brasil, na época colonial, sobre as barbas do Rei D. João VI, a igreja se apoderou de uma imensa área de terras e de fortunas incalculáveis, além de tratar índios e negros como cidadões de segunda classe, apoiava a escravidão e beijavam a mão do Rei enquanto se locupletavam de forma vil dos bens de terceiros. Tinham seus representantes na Corte e nos plenários de discussão política, opinavam e enriqueciam os cofres da mãe Roma, além é claro, dos próprios cofres. No filme “O Nome da Rosa”, podemos ver de forma como se comportavam aqueles que falavam em nome de Deus. Riqueza, luxuria e egoísmo eram marcas dos padres da época. Sexo em troca de comida com meninas e meninos, pedofilia e orgias dantescas se misturavam ao nome de Deus.
Hoje, a nova igreja evangélica está à beira de uma nova inquisição. Não aceitando a homossexualidade, impondo dízimos, construindo verdadeiros palácios, participando da política e tentando tornar lei aquilo que é religioso. Corremos um risco de termos em nossas cadeiras nas Câmaras, Assembléias e Senado, pessoas ligadas a estas novas igrejas que também em nome de Deus tentam impor suas regras de conduta e sua separação de classes para uma população ignorante e despreparada intelectualmente, desprovida de maldade e em busca do Reino de Deus aqui na Terra mesmo. Ninguém presta a não ser aquele que é evangélico, ninguém é honesto o suficiente a não ser o evangélico, nenhuma outra religião é de Deus, só a deles. Todos são criaturas de Deus menos eles, que são filhos de Deus. Falo dos novos evangélicos, não dos tradicionais. Falo destas igrejas novas advindas do estilo de pastores americanos picaretas e milionários. Assim como são milionários e picaretas os pastores e bispos autodenominados que existem aos montes em nosso País.
Enquanto esses estelionatários estiverem ocupando postos políticos e tentando influir nas leis de todos, estamos correndo um sério risco de termos uma nova inquisição. Ao contrário dos padres e bispos da igreja católica, os pastores se aventuram na política por uma única razão, a razão do poder, do conchavo, da impunidade. Cuidado com esse tipo de líder religioso, pois eles vão de encontro ao inverso do que pregam. “A Cesar o que é de Cesar, a Deus o que é de Deus”.
” O reino de meu Pai não é deste mundo.” Cuidado com a aparência de seu pastor, com o carro luxuoso com o qual se apresenta. Este carro e tudo mais vieram do seu dinheiro. A emissora de televisão, a casa em Miami, as fazendas... Tudo que foi feito no século XII está se repetindo, só falta beijarmos a mão cheia de anéis com pedras vermelhas destes verdadeiros fascistas religiosos, que continuam a viver as custas de aposentadorias de velhinhas e de salários de empregados com baixa cultura e intelecto. Este não é o caso de meu jovem amigo Franklin, evangélico e estudioso das causas de Deus. Mas é o caso de tantos Franklins iludidos, que já tiveram a lavagem cerebral executada pela técnica de neurolinguistica destes verdadeiros mascates da dor alheia, aproveitadores frios das fraquezas de pessoas carentes que ainda crêem que um homem pode falar por Deus e falar pelo Espírito Santo. Isto sim é menosprezar a liberdade que Deus nos deu e que Jesus em tempo algum mandou que fizéssemos. Quando vejo tanto luxo e riqueza nas mãos destes pseudos homens de Deus, lembro-me de Chico Xavier, de irmã Dulce, de Madre Tereza de Calcutá, de Francisco de Assis e tantos outros que tanto fizeram sem nada pedir e principalmente, sem nunca se envolverem com política. 
Não vote em religiosos para que eles não percam seus votos de servir a Deus. Não seja responsável por uma nova inquisição. Não emburreça nosso País.     

2 comentários:

Airton Baptista disse...

A matéria acima foi postada por Airton Baptista

Anônimo disse...

Muitíssimo bem colocado!
Não, não voto e não faço votos.
Vou caminhando e tentando pescar o que pessoas realmente cristãs e humanitárias têm a me ensinar.
Mas os católicos radicais e os evangélicos - desses quero a maior distância.
São do tipo de cristãos que têm repetido a mística da crucificação há tempos. Dividem e dividir é coisa má.
1 dia leio Chico Xavier, outro dia leio Krishnamurti, outro leio Gnose, mas misturar o sentido que tais coisas me dão com minha ainda capacidade de cidadã - never !
Obrigada pela oportunidade de te ler aqui.
Barbara.