Perigosos moradores do Pinheirinho com seus carros de combate
Um dos discípulos Platão, chamado Trasímaco,
disse que “A justiça do forte é sempre justa”. Fico imaginando como um cidadão que
viveu a cerca de 400 anos A.C. pode ser tão atual. Que espírito eles possuíam?
Que missão é essa que perdura dentro de um contexto que se renova dia a dia?
A comunidade do Pinheirinho, na cidade
de São José dos Campos, que reúne milhares de famílias, estava prestes a ser
invadida pela Polícia Militar do Estado de São Paulo depois de um mandato de
desapropriação expedido pela justiça. A área invadida pelos moradores, que
construíram ali casas de alvenaria, e que recebeu da prefeitura toda estrutura
de um bairro, como ruas asfaltadas, esgoto, água, etc. passa de um dia para
outro a ser considerada “invadida”. O proprietário é conhecido pelos juízes de
todo País, seu nome é Nagih Nahas, especulador da bolsa de valores e que
provocou prejuízos incalculáveis a milhares de pessoas e empresas, chegando a
ser preso. Comprou a área a mais de 20 anos e deixou ali, abandonada,
valorizando, sem a menor preocupação que o abandono desta propriedade pudesse
causar danos ao erário social da região. Soldados, cavalos, carros de combate e
toda delicadeza da polícia do PSDB estavam prontos para a invasão. O direito à
propriedade, mesmo que comprada com dinheiro sujo, deveria ser mantido. Eis a
justiça do forte sendo justa, como sempre. Seria um massacre, visto que os
ditos invasores são homens, mulheres e crianças fortemente armadas, armadas de
sonho. Em cada quintal se vê material de construção estocado, aguardando mais
um final de semana para terminar aquela parede, aumentar um quarto, pois a
família cresce quando se sonha. Mas do nada surge uma nova ordem judicial
interrompendo a operação. Enfim, a justiça do oprimido e do fraco seria
finalmente reconhecida. Mas não foi por isso que houve a ordem judicial suspendendo
a operação judicial.
Houve uma justiça do mais forte ainda. O governador não teria como explicar
a reintegração de posse em ano de eleição, principalmente na região de onde ele
é oriundo. O governo PSDB e seus juízes correligionários entenderam que não
seria de bom tom jogar centenas de famílias na rua, sem planejamento algum. Sem
respeito algum. O interesse falou mais alto. A ordem foi suspensa por 15 dias.
A comunidade do Pinheirinho está sobre a ameaça de despejo. Mas pelo que se diz
a comunidade não aceitará passivamente a reintegração. Haverá mortes e dor no
local, assim como na favela debaixo do viaduto da Av. Rio Branco, assim como em
várias favelas de São Paulo que pegam fogo e um ano depois se erguem torres de
apartamentos no mesmo local.
Trasímaco tem razão, a justiça do forte
é sempre justa. O PSDB tentou acabar
com as favelas de São Paulo, primeiro incriminando os moradores, jogando a
opinião pública contra o pobre, como se fosse crime ser pobre, como se rico não
consumisse droga, não roubasse. A favela de Paraisópolis resistiu, mas
enfraqueceu. Agora é o fogo, elemento que não deixa rastro. Quando nada disso
funciona, chama-se a Polícia de Choque.
Começou hoje a demolição no Bairro da
Luz de sobrados velhos e pequenos prédios, local onde os doentes da cracôlandia
se reuniam e hoje estão dispersos, sem a menor ajuda efetiva. Há quem aplauda
essa atitude. A sujeira continua indo para debaixo do tapete.
Caro Trasímaco, em tempo, “a justiça
do forte é sempre suja”.
Pobre do pobre de São Paulo. São lixo,
massa de manobra, pessoas de terceira classe. As pessoas pobres de São Paulo
não têm acesso à educação como em outros Estados , não têm acesso à saúde como em outros Estados , não
têm direito à moradia. Dentro do conceito neoliberal do PSDB essas pessoas não
passam de estorvo, só dão trabalho. O Estado mais rico da Nação é o mais
nazista de todos. E quando esse povo procura ajuda na fé, cai na mão dos
neopentecostais. Os pastores acabam de fazer o serviço sujo. Pobre do pobre de
São Paulo.
A injustiça do forte está cada vez
mais injusta.
E enquanto isso a mídia comprometida
se cala.
Por: Airton Baptista

Um comentário:
pessoas como os do psdb e afinados , são da mesma laia corporação matilha quadrilha dos fortes do mundo que através de tantos meios , insistem em exterminar com os pobres - seja assim ou assado.
nada me parece separado.
sinto medo.
da opus dei aos pastores
e os mais frágeis de todos - os da cracolândia agora tomam chuva no lombo mas o que importa? estão drogados, não sentem nada. e é assim que devem pensar os poderosos sobre todos os pobres - não sentem nada.
Barbara
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